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terça-feira, 16 de maio de 2017

Especialistas alertam sobre os problemas da obesidade de pets

Problema atinge de 25% a 40 % dos animais, e se desenvolve quando a energia ingerida é maior do que a gasta por longos períodos de tempo


Médicos veterinários informam que a obesidade está entre as principais causas de mortalidade de cães e gatos. Animais obesos apresentam sérias carências nutricionais e estão predispostos a diversas doenças graves. Na maioria dos casos, os pets são gordos ou têm sobrepeso por culpa dos próprios tutores. No entanto, a genética e a castração também colaboram para o aumento do peso. Apenas uma avaliação física é capaz de mostrar se o bichinho de estimação está com uns quilinhos a mais ou não.

Gisele Vieira Sechi, médica veterinária do Hospital Veterinário Intensiva (HVI), de Curitiba, especialista em endocrinologia e dermatologia, explica que a obesidade é a principal doença nutricional que acomete cães e gatos e é caracterizada pelo excesso de gordura corpórea. “Acredita-se que a obesidade atinge 25% a 40 % dos animais, e se desenvolve quando a energia ingerida é maior do que a energia gasta por longos períodos de tempo”, acentua. A médica esclarece que vários fatores contribuem para o seu desenvolvimento: falta de atividade física, alimentação excessiva do animal, genética, castração etc., dentre outros.

Alimentação
A zooctenista Melony Caroline Ferreira dos Santos, também da equipe do HVI, e que cursa o último ano de Medicina Veterinária na Universidade Tuiuti do Paraná, acrescenta que a obesidade muitas vezes passa despercebida pelo tutor, pois eles acreditam que o pet fica bonito estando mais gordinho. “Mas o acúmulo de tecido adiposo no organismo do animal compromete suas funções fisiológicas”, observa.

A alimentação incorreta está entre os principais desencadeadores da obesidade. Uma dieta com desequilíbrio nas quantidades de proteínas, carboidratos e gorduras, a ingestão de alimentos que não são indicados para os pets e o fornecimento excessivo de petiscos ou guloseimas estão entre os elementos que causam a elevação de peso. Esse é um ponto muito importante para Melony. “Vamos cuidar da alimentação do nosso pet, eles serão eternamente gratos e saudáveis”, assegura. Ela reforça que a ingestão de petiscos sem nenhum controle também contribuiu para o problema. “Normalmente são fornecidos ao longo do dia pelos tutores que acham que estão agradando e deixando seu pet mais feliz. Fornecer ração à vontade também é um agravante”.

Problemas
As especialistas afirmam que um animal obeso pode vir a apresentar problemas articulares, câncer, hipertensão, doenças dermatológicas, diabetes, alterações renais e urinárias, alterações cardiorrespiratórias, lipemias, alterações imunológicas endócrinas, diminuição da expectativa de vida e alterações hepáticas. A médica Gisele explica que para tratar a obesidade é preciso primeiramente uma consulta veterinária e realização de exames físicos e clínicos para avaliar a real condição e também verificar a existência de doenças. Os resultados serão o primeiro passo para o tratamento.

Constatada a obesidade, ela explica que é realizado um programa de cálculo da necessidade de energia que o animal precisa ingerir diariamente e é estipulada uma dieta específica para animais obesos. “É importante lembrar que a dieta nunca deve ser realizada com uma ração convencional, pois quando restringimos calorias, também restringimos vitaminas e minerais”, aconselha. Além disso, para que o pet perca peso é necessário aumentar o gasto energético, e a melhor maneira de estimular o gasto de energia é com exercícios físicos. “O nível de exercícios deve ser recomendado de acordo com a idade e peso do paciente, além da disponibilidade do tutor”, pondera. A zootecnista Melony recomenda aos tutores para que não deixem que seus pets cheguem ao estado de obesidade. “Animal gordinho e fofinho não é sinônimos de saúde, muito pelo contrário. Cães e gatos obesos têm menor tempo de vida”, atesta.

Tratamento
A diretora do HVI, médica veterinária Elaine Tamura enfatiza que o hospital trabalha com nutrição funcional. O médico veterinário ou zootecnista passa a ser um consultor em saúde e juntamente com o tutor estabelece um projeto integrado e personalizado em busca do bem-estar. O método visa a tratar o organismo como um todo, buscando sempre a origem do problema, reduzindo a utilização de medicamentos. “A finalidade é reparar o organismo no lugar de apenas combater os sinais. Os tratamentos são personalizados baseados nas necessidades individuais de cada paciente. Durante a consulta serão avaliados tanto a parte física quanto o ambiente em que este animal vive e seu histórico de vida”, sustenta.
Fonte: https://www.noticiasaominuto.com.br