sábado, 1 de abril de 2017

O ABN CONFIRMA! O QUE MUITAS CÂMARAS MUNICIPAIS E PREFEITURAS DE SERGIPE TÊM É PORTAL DE "APARÊNCIA", NÃO DE TRANSPARÊNCIA. CADÊ O TCE E MPE?

Muitas Câmaras Municipais e Prefeituras tem contratos com empresas para da manutenção nos Portais das transparências, e porque não funcionam

Os portais das transparências são invisíveis, e ainda falta muito para que as administrações municipais sejam transparentes, essa é conclusão do levantamento feito pelo Blog A Barra e a Noticia.

O ABN tem feito diversas pesquisas e está  engajado na causa do controle social das contas e das políticas públicas. E através de informações tem constatados a falta de transparência de muitos administradores públicos. O Exemplo foi a Câmara Municipal de Barra dos Coqueiros, que depois das denúncias do ABN, colocou para funcionar o Portal,

A estimativa é que nos últimos quatro anos o esforço do ABN por fiscalizar a aplicação de verbas públicas tenha gerado uma economia  aos cofres municipais.

— É um dinheiro que deixou de ser mal utilizado ou desviado. A cifra mostra que esse trabalho vale a pena — avaliou Givaldo Silva.

O que o cidadão precisa fazer para acompanhar o trabalho do prefeito e dos vereadores?

O primeiro passo é visitar o portal de transparência da prefeitura ou da câmara municipal. Se não encontrar as informações que busca, o caminho é fazer um pedido de informação. No portal deve haver um espaço para que o cidadão faça o pedido e deixe o contato para receber a resposta. A outra forma é integrar-se a alguma organização, associação de bairro ou entidade que tenha como foco a transparência e o controle sobre os gastos públicos.

As prefeituras e as Câmaras municipais de Sergipe  têm cumprido a Lei de Acesso a Informacao e estruturado os portais de transparência?

O que se encontra sempre são inúmeras dificuldades em muitos municípios. A gente brinca que muitos têm portal de “aparência e outros tem tanta transparência que chega a ser invisível!, e não de transparência, porque você não encontra as informações. Ou então encontra dados fechados ou planilhas cujos dados não podem ser cruzados com outras informações. A parte de licitações nem sempre está atualizada ou só tem o resumo do edital. A maioria dos pequenos municípios é muito deficitária em seus portais e enfrentam problemas técnicos, por exemplo. Prefeitos alegam que os fornecedores usam diferentes softwares e, com isso, os dados não se comunicam. Essa é uma realidade, não é só uma desculpa. Em Sergipe, o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, fez um mapeamento de todos os portais de prefeituras e câmaras e constatou diversas irregularidades depois de muitos anos de desobediência a lei da Transparência. Vários termos de ajustamento de conduta já foram firmados, mas ainda não estão sendo cumpridos. Às vezes falta interesse em disponibilizar um funcionário para cuidar disso e da capacitação dos demais servidores.

E os portais de transparência das câmaras municipais?

A situação é muito pior. Embora a câmara seja o órgão fiscalizador do Executivo municipal, ela não dá o exemplo. São poucas as câmaras que têm um portal correto, com todas as informações, especialmente a respeito de diárias [gastos em viagens] e auxílio-alimentação. As que funciona tem apenas aparência.

Quando o cidadão acessa um portal sem as informações que procura ou com informações inacessíveis, a quem recorre?

O que ele pode fazer é o pedido de informação pelo próprio site ou escrever uma carta e protocolá-la na prefeitura ou na Câmara Municipal pedindo as informações do que deseja. Se ele não receber o retorno em até 15 dias, como prevê a lei, deve procurar o Ministério Público para fazer uma denúncia.

O ABN tem um ranking de municípios em relação ao portal de transparência?

Não temos dados gerais, mas posso citar exemplos. Em Barra dos Coqueiros, é uma prefeitura modelo. E as prefeituras poderia conhecer a experiência da atual gestão, que realmente entendeu a proposta de trabalho do Observatório e acolheu muito as propostas. É um portal de transparência que tem praticamente quase  tudo. As Prefeituras deveriam criar a Secretaria de Transparência, com várias organizações da sociedade civil com assento.

Quando o cidadão faz uma denúncia num portal de transparência, qual é a chance de haver apuração? 

Se o cidadão já tem dificuldade de retorno ao fazer um pedido de informação, imagina se for denúncia. Isso se for denunciar para o órgão executor. Se for denunciar para o Ministério Público, é outra tratativa. Por isso, digo que fazer denúncia no portal de transparência da prefeitura é quase inócuo. A não ser em alguma prefeitura que tenha esse canal bem ativo e estruturado, aí é outra situação. O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe e o MPE deveriam proteger o denunciante. Eles sabem que quem denuncia aqui no Brasil corre risco de sofrer retaliação e ameaças. Por isso, devem procurando criar mecanismos de proteção ao denunciante. Os cidadãos de cidades pequenas, onde todo mundo se conhece, ficam marcados ao fazer uma denúncia. As coisas tratadas individualmente sempre ficam mais difíceis.

VEJA MATÉRIA ANTERIOR:

Tribunal de Contas comprova a falta de transparência das Câmaras Municipais